Somos uma comunidade de pessoas que compartilham do desejo de viver a mensagem de Jesus de forma a incluir, e não excluir; curar, e não ferir; pacificar, e não guerrear; encorajar, e não desanimar; libertar, e não aprisionar; incentivar a liberdade e criatividade de pensamento.

Estamos ligados a FUICM (Fraternidade Universal das Igrejas da Comunidade Metropolitana)  Região Ibero-america coordenada pelo Reverendo Bispo Hector Gutierrez.

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Liturgia

1. O que é Liturgia?

O termo liturgia provém do grego “leitourgia” que, “em sua origem indicava a obra, a ação ou a iniciativa assumida livremente por um particular (indivíduo ou família) em favor do povo ou do bairro ou da cidade ou do Estado”. Portanto, a liturgia era a “obra pública” assumida com liberdade.Com o passar do tempo a liturgia perdeu o seu caráter livre e passou a significar umserviço obrigatório.

A tradução grega do Antigo Testamento apresenta a liturgia como sendo um “serviço religioso prestado pelos levitas a Javé, primeiro na „tenda‟ e depois no templo de Jerusalém”.

 2. Por que Celebrar?

Celebrar significa tornar célebre um determinado momento ou acontecimento da vida. O ato de celebrar faz parte da vida humana, é uma ruptura da rotina cotidiana. O liturgista italiano, Romano Guardini, fala da celebração como dimensão lúdica da vida que extrapola o tempo e o espaço. Celebrar é comemorar, isto é, atualizar na memória algo em comunhão com alguém. A história já vivida por alguém, grupo ou país é outra razão pela qual se celebra. Aqui surgem os diferentes tipos de celebrações: cívicas, sociais, religiosas...

Na religião a celebração ocupa um espaço privilegiado.

3. O que Celebrar?

Em toda e qualquer celebração o centro é a VIDA. Celebramos a vida. A vida provoca e faz acontecer a celebração que, por sua vez, compreende uma simples festa de aniversário até um fato que envolva todo o mundo. Referindo-se à celebração litúrgica o que se celebra é a “vida de Deus no meio do povo” em vista de comemorar o mistério (projeto) da salvação. O projeto de comunhão de Deus com o seu povo e “que chamamos de obra da salvação, foi prenunciado pelo próprio Deus no Antigo Testamento e realizado em Cristo. Hoje a Liturgia o celebra, isto é, o rememora e o torna presente na Igreja. Portanto, podemos dizer que o ponto central da liturgia cristã é o Mistério Pascal. Por mistério pascal compreendemos a plenitude da presença de Deus no meio do seu povo na pessoa de Jesus, desde a sua encarnação até a ressurreição. É o centro da história da salvação.

 4. Quem Celebra?

Nas Igrejas da Comunidade Metropolitana quem celebra os sacramentos e demais celebrações é a comunidade reunida. Como diz nosso estatuto da Fraternidade Universal das Igrejas da Comunidade metropolitana no artigo IV: ―A ICM reconhece o sacerdócio universal de todos os crentes (1Pd 2,5-10). Em algumas comunidades é comum ouvir frases tais como: “Reverendo, é o Senhor que vai celebrar hoje?”; “Quem celebrou o culto domingo passado foi o fulano”; “Naquela comunidade quem celebra é cicrano”; “Vamos assistir a celebração naquela igreja”. Afinal de contas quem é mesmo que celebra?

O corpo de Cristo reunido é que Celebra na ICM.

Jesus Cristo é o único sacerdote, o celebrante principal. Nós somos convocados pelo Espírito Santo para celebrar com Jesus e com os demais membros da comunidade.

Celebrar é participar como sujeito e não como mero assistente. Na celebração litúrgica a pessoa torna-se participante de toda a vida de Jesus de Cristo (Mistério Pascal) e da vida de seus irmãos e irmãs inserida neste mistério de salvação. Portanto, quem celebra é toda a comunidade reunida em assembleia.

O êxito de uma celebração está diretamente ligado à diversidade de funções atribuídas aos membros de sua assembleia. De fato, a assembleia litúrgica “é uma comunidade reunida, mas nunca de modo massificado. Não é massa nem público. Articula-se em torno de diversas atividades específicas distribuídas entre seus diversos membros”. Sabemos também que “essas atividades, funções e papéis são, pois, verdadeiros serviços ou ministérios, porque ajudam a assembleia” a celebrar a vida de forma plena.

Dentre os principais serviços lembramos a “acolhida, leitura, canto, oração, ofertório, assistência à mesa-altar, presidência”. 

5. Como Celebrar?

Liturgia Reformada

Em João Calvino temos uma excelente referência na reflexão sobre o Culto Cristão.

a) Objetividade

No entendimento de Calvino, o culto tem o objetivo principal de glorificar a Deus. Todos os elementos da liturgia — leitura, oração, canto, sacramento, sermão — combinam-se para dar voz a uma grande doxologia oferecida pelo seu povo.

Calvino rejeitou os outros conceitos do culto, correntes em sua época:

_ O da Igreja Medieval, para a qual a liturgia servia como meio de obter graça e perdão. Calvino ensinou que a graça e o perdão já foram alcançados para nós pelo sacrifício de Cristo. A congregação se reúne, não para obter graça, mas para celebrar com gratidão o dom gracioso da salvação, concedido por Deus aos que crêem;

_ Os dos Anabatistas, os quais argumentavam que a finalidade do culto é proporcionar ânimo e conforto espiritual ao indivíduo. Calvino contestou esta posição por ser uma inversão do objetivo do culto, centralizando-o nos sentimentos do crente, ao invés de dirigi-los ao criador. O culto reformado não é subjetivo, com ênfase nas emoções religiosas do indivíduo. É a glória de Deus que buscamos no culto, e esta em primeiro lugar.

O nosso próprio benefício espiritual é um dos frutos que resulta da adoração a Deus. A comunidade cristã se reúne para render ao Senhor ―a glória devida ao Seu Nome‖

*Esta posição Calvinista, esta de acordo com o que entendemos ser uma visão inclusiva (ecumênica) pois o bem estar dos crentes é uma consequência natural de sua adoração a Deus (o culto) e não o seu fim. Conforme nossa visão diz: “Somos transformados por aquilo que encontramos.”

b) Ênfase na Palavra do Evangelho

É na Palavra do Evangelho que Deus se revela a seu povo: a) nas leituras das Escrituras Sagradas; b) no sermão; c) na Santa Ceia, em que a mesma Palavra é comunicada por outra maneira.

* Na ICM ousamos em não encerrar a ―Palavra‖ ao Canon das Escrituras, por entender que a Palavra (o Verbo) antecede às Escrituras. Ou seja, nesta perspectiva o centro do Culto é Cristo, A Palavra Viva.

c) Ênfase no sacramento da Santa Ceia

Calvino insistia em que a santa Ceia devia ser celebrada todos os Domingos – (Institutas, IV, XVII, xliii). João Knox também deu a mesma importância ao Sacramento. A mesa da Ceia era o ponto central no templo (não o púlpito e nem tão pouco um altar), o ministro dirigindo o culto da mesa, subindo para o púlpito apenas para ler as Escrituras e para pregar. Em Genebra, os participantes sentavam-se à volta da mesa para tomar a Ceia do Senhor.

Para Calvino, o ponto culminante da liturgia é o Sacramento.

*As Igrejas da Comunidade Metropolitanas tem no sacramento da Santa Ceia o ponto central de seu culto. Somos o povo que se reúne entorno da mesa do Senhor e ainda que temos uma diversidade de formas na celebração da Santa Ceia, todas as comunidade são orientadas a celebrar pelo menos todos os domingos.

d) Continuidade com o passado

A liturgia não era uma ―reforma‖ feita na Missa; era (a tentativa de ) restabelecimento do culto da Igreja Primitiva, sem as perversões da Idade Média.

O Instrumento com que Calvino contou para efetuar a restauração do culto da Igreja Primitiva foi o Saltério. Nos Estatutos relativos à Organização da Igreja e do Culto em Genebra (1537), Calvino escreveu: ―Desejamos que os Salmos sejam cantados na Igreja de acordo com o uso da antiguidade e o testemunho de São Paulo. O canto dos Salmos nos estimula a levantar os nossos corações a Deus‖. Juntamente com os Salmos, foram cantados também os credos dos primeiros séculos da Era Cristã, o Decálogo, o Nunc Dimitris e outros hinos do Novo Testamento – todos metrificados. O culto Reformado não era inovação baseada na invenção dos reformadores; tinha profundas raízes no passado nas liturgias do antigo Israel e na Igreja Católica primitiva.

e) Ênfase na participação de todo o povo

Através dos hinos todo o povo de Deus participava na liturgia. Não era um coro de vozes treinadas, que cantava para uma assistência; era a congregação de Jesus Cristo, que cantava para o louvor e a glória de Deus.

f) “Faça-se tudo decentemente e com ordem” (I Coríntios 14:40)

A liberdade dentro dos princípios do Cristianismo Primitivo evitava por um lado, o formalismo de ritos mortos, e portanto, o relaxamento que se observa em muitas igrejas, onde qualquer ―salada‖ serve para o culto e onde não existe qualquer senso de liturgia.

Calvino insistiu em que houvesse liberdade disciplinada, na liturgia do culto.

g) Liturgia em função da Transformação da Igreja e da Sociedade

É importante notar que para Calvino, dar glória a Deus significava muito mais do que entoar louvores no templo aos Domingos. Para ele, significava permitir que o Espírito Santo transformasse a vida individual e coletiva de tal forma que atingisse todos os seus aspectos religiosos, familiares, sociais, políticos, culturais, para se tornarem um grande salmo de louvor a Deus.

*Neste sentido também encontramos em Calvino as bases da nossa visão pois cremos que o Não se calar diante da Injustiça é uma forma de adoração a Deus.

Como diz nossa visão: Somos chamados a:

- Praticar o direito, amar a misericórdia e caminhar humildemente com Deus. (Miquéias 6:8) - Explorar os questionamentos da vida com corações e mentes abertos. - Levantar as nossas vozes em sagrado desafio contra a exclusão religiosa (e política e sistêmica). - Alcançar quem está sem esperança. - Levantar novas gerações de ativistas espirituais reconhecidos e com grande alcance.

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