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| CULPA: Doença Moral |
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| Escrito por Dário Ferreira Sousa Neto |
| Seg, 01 de Março de 2010 21:49 |
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Ao refletirmos sobre o modo como a culpa nos atormenta cotidianamente, poderíamos relacioná-la com três outros sentimentos que parecem dela resultar: vergonha, medo e arrependimento. Sem pretensão de tornar essa reflexão em um tratado filosófico, prendamo-nos na vivência real e cotidiana desses três sentimentos e nos deparemos com um elemento comum: a comunidade. O sentimento de vergonha pressupõe uma relação moral com um grupo social que pode nos impor censuras ou outras formas de castigos os quais criam em nós sentimento de inferioridade em relação à comunidade. De modo mais intenso à vergonha, o medo mostra haver uma relação de poder do outro (seja indivíduo ou comunidade) sobre nós; tememos seja o castigo, seja a exclusão que possa ser imposta a nós. Tanto a vergonha quanto o medo pressupõem algumas coisas em comum: a comunidade, a submissão de nossas vontades ao da comunidade e ausência de nossa liberdade. Ambas, enquanto efeito da culpa em nossa alma, levam-nos à autopunição. Não necessariamente a vergonha ou o medo resultem de uma ação indevida que tenhamos feito e aí é que temos um problema. É possível sentirmos vergonha e medo pelo que desejamos, pelo que somos e pelo modo como compreendemos o mundo; nestes três casos, não temos controle consciente para impedir seu desenvolvimento em nós, isto é, não podemos controlar nossos desejos – desejamos simplesmente; não podemos deixar de ser o que somos; também não podemos alterar conscientemente e de modo mecânico nosso modo de compreender o mundo. Algumas vezes, o sentimento de culpa provocado pelo medo ou pela vergonha resulta de ações que fazemos e, embora sentimo-nos bem com essas ações, a discrepância entre elas e o juízo moral da comunidade leva-nos a esses sentimentos. De outro modo, o arrependimento, embora também tenha a comunidade como baliza de juízo moral para o que definimos ser bom ou ruim, resulta, muitas vezes, da consciência individual com uma certa autonomia moral de que o que fizemos não nos foi agradável. Fizemos algo e não gostamos ou, por mais que tenha sido prazeroso no momento do ato, as conseqüências não fizeram valer à pena e, portanto, arrependemo-nos. Diante do arrependimento, tomamos o caminho inevitável da culpa como forma de nos impor uma punição memorável como censura a determinada ação. Contudo, sem percebermos, buscamos na culpa a impossibilidade real do retorno como forma de apagamento de nossos atos. Certamente, embora menos penoso, esse efeito da culpa tende a fazer mal a nossa saúde emocional e espiritual. Doentes, tendemos a dois caminhos: ou a auto exclusão do meio social ou a uma relação hipócrita por meio de rituais que aliviem a dor em nossa alma. Certamente, ambos os caminhos leva-nos a perdição. O Cristo crucificado torna-se metáfora para uma outra possibilidade harmoniosa entre nossa incapacidade de perfeição e nossa necessidade de viver em comunidade. Um outro caminho – Cristo – surge a nós como forma de nos reconectar a Deus, entendendo Deus como metáfora da vivência sadia em comunidade. A cruz de Cristo não deixa de impingir em nossa alma o arrependimento, porém livra-nos do sentimento da culpa e da destruição para a qual somos levados. Em Cristo, o arrependimento conscientiza-nos que o viver em comunidade, isto é, a lei, é bom e salutável, mas livra-nos da insanidade da perfeição, pois, na consciência de nossa humanidade, somos justificados por Cristo Jesus. Ter vergonha ou medo mostra nossa fraqueza e incapacidade de estabelecer harmonia com o meio social a qual vivemos, pois confirma o quanto somos dependentes da avaliação moral e da aceitação do outro sem estabelecer uma relação equânime entre individualidade e alteridade. Arrepender-se é a tomada de consciência, a partir do conjunto de valores culturais que herdamos, sobre nossos atos e nossas fraquezas, sobre o que definimos ser bom ou ruim, tanto para o indivíduo, quanto para o meio social a qual pertencemos. Contudo, a culpa, doença moral, atravessa nosso caminho e nos ilude no desejo de retorno e apagamento. Em Cristo, temos a consciência de que nossos atos, por mais errados que sejam, não podem ser desfeitos ou apagados, mas com Cristo temos a justificação de que erramos por nossa humanidade, mas teremos sempre a possibilidade da reconciliação com Deus e a oportunidade de fazermos o que é certo por termos aprendido errando. PAZ E BEM! Diácono Dário Neto Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. |
| Última atualização em Qua, 10 de Março de 2010 22:49 |
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